ETIC - ENCONTRO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA - ISSN 21-76-8498, Vol. 3, No 3 (2007)

QUESTÃO AGRÁRIA COMO EXPRESSÃO DA QUESTÃO SOCIAL: UM ESTUDO DE CASO NO ASSENTAMENTO PORTO VELHO

Marcela Coladello Ferro, Patrícia Los Oliveira, Luci Martins Barbatto Volpato

Resumo


Os novos tempos acentuam problemas sociais históricos, no qual a dinâmica do capital transita entre a flexibilização e precarização das relações de trabalho, a dicotômica relação entre desenvolvimento econômico e social, a globalização pautada em projetos neoliberais se constituem o pano de fundo dos processos de exclusão social, assinalados pelo crescente número dos chamados “excluídos”. Trata-se de sujeitos sociais que vivenciam no seu cotidiano, a pobreza, a miséria, o desemprego estrutural, à informalidade do mercado, moradia precária, o não acesso à saúde e educação de qualidade, a expulsão do campo, a urbanização descontrolada etc. ao mesmo tempo agentes e vítimas de processos sociais desiguais. É neste contexto que se evidencia a outra face do desenvolvimento das forças produtivas capitalistas, onde “estes novos tempos reafirmam, pois, que a acumulação de capital não é parceira da equidade, não rima com igualdade. Verifica-se o agravamento das múltiplas expressões da questão social”. (IAMAMOTO: 2006, p. 18). Dessa forma a prática profissional do Assistente Social é atravessada pelo quadro sócio-histórico atual, que se constitui em novos desafios profissionais.Considerando a questão agrária expressão da questão social, esta objeto de trabalho do Assistente Social, os Assentamentos Rurais demandam ações profissionais na medida que traduz processos sociais desiguais no campo, no qual os assentados os vivenciam no cotidiano. È neste movimento que procuramos apreender como as expressões da questão social se particularizam no Assentamento, nas condições objetivas dos assentados, tratando de suas experiências subjetivas e diversas que apresentam trajetórias de vidas, na maioria das vezes marcadas pela desigualdade social, podendo produzir subalternidade ou autonomia, acomodação ou resistência. Posto isso, o presente trabalho objetiva conhecer, compreender o trabalhador do campo, especificamente o assentado rural, que historicamente esteve submetido a processos desiguais, inseridos em um projeto de reforma agrária que os subalterniza. É compreender esse sujeito e propor o Serviço Social o objeto de nossa pesquisa. No presente trabalho, realizamos o estudo de caso no Projeto de Assentamento Porto Velho, no qual identificamos e colhemos narrativas de seis famílias. Pelo fato do Projeto de Assentamento ser dividido pelo Rio Anastácio, optamos em escolher três famílias de cada margem do rio. Desse modo, consideramos como resultados parciais, a partir da análise as experiências do cotidiano dos assentados nos assentamentos rurais a partir do paradigma do desenvolvimento como liberdade, visto que abrange o desenvolvimento não somente sob a perspectiva econômica, mas assume a complexidade, tanto do conceito quanto da própria realidade, visto que ainda apenas deslocam a exclusão social. Para tanto, coloca-se a necessidade de uma ação sócio-educativa, que direcione o agir profissional para o desenvolvimento das liberdades das famílias no campo de serem capazes de participar, mobilizar, decidir, agir sob a perspectiva de conduzir alternativas de sustentabilidade na terra.

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